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Hoje eu queria apenas ter pra mim aquilo que se tem de mim sempre...
Hoje eu queria o afago, a atenção, o entendimento no silêncio, os polegares que te secam as lágrimas, as palavras certas, as frases de efeito, o dizer não o que se quer, mas o que se precisa ser dito...
Hoje eu me queria pra mim...
O meu silêncio tem dito de mais pra mim. E entre um ensaio e outro, um tapa na face e outro, ele diz o que eu sempre soube: dou tudo e normalmente ganho restos, migalhas, contentamento plácido de culminantes emoções que ajudo a fazer nascer pra dar de mão beijada ao primeiro imbecil que aparece.
Queria ser beijado pelas ondas do mar de sentimentos que pra mim empoçam até secar, ressecar e trincar o solo; selo débil que tá faltando por tanto dar...
Hoje eu queria ser mais egoísta e pensar só em mim.
Hoje eu queria poder sentir que posso ser pra alguém o tudo que lhe cabe e preenche, entende e estende o amplo manto do juntar, do estar, do amar e enroscar... Emaranhar...
Preciso me achar em mim pra me caber de novo...


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